terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Os Penetras e a Grande Perca de Tempo

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É triste saber que sou tratado como um imbecil irracional. Sim, foi assim que me sentir ao sair do cinema após assistir Os Penetras.

O filme é engraçado?, você deve estar se perguntando. Não. O Adnet e o Eduardo são. A única coisa engraçada são os dois. Mas não vou me focar nos dois, pois acredito que eles se sentiram como eu quando finalizaram as filmagens: Que se meteram em uma roubada.

Filme brasileiro já tem em seu DNA os seguintes perfis: ou tem que ser uma putaria total, com malandros tirando proveitos  e comento todo mundo, ou o coitadinho do sertão que vem tentar a vida na cidade, se ferra todo e depois volta como herói pra sua cidade natal. E tiramos ótimas obras disso, como O Auto da Compadecida, Gonzaguinha, Central do Brasil, Até Que a Sorte Nos Separe e etc.

Quando um diretor tenta uma novidade no cinema nacional, ele precisa ter paixão no que faz. José Padilha, diretor de tropa de Elite, soube transmitir bem essa paixão. Conseguiu trazer para a tela o sentimento que muitos tem e passam no seu dia a dia.

Ao pronunciar o nome do diretor, Andrucha Waddington, ecoa o que foi o filme: estruchula.


Eu juro que fui na intenção de me divertir, e acho que por isso me tornei ainda mais crítico, pois em nenhum momento o filme me arrancou nem aquele sorriso sem graça, aquele que você rir apenas para agradar as pessoas ao seu redor. Nada. Nem sono o filme me deu (pois ao menos descansaria até meu proximo compromisso). O único sentimento que eu tinha era de indignação, de desrespeito. Sim, desrespeito, pois um filme que é produzido achando que o público é idiota e retardado está desrespeitando.

A história do filme termina da mesma forma que começa, sem pé nem cabeça. Claro que eu entendi a história. O que eu não entendi é o que personagens soltos em uma história solta podem produzir.

A confusãozinha amorosa dá lugar a apelação sexual. Afinal, como o próprio personagem do  Eduardo Sterblitch disse (acho que ao perceber que o filme tinha ido pro ralo), teve uma hora que realmente eles botaram pra fuder. Daí pra frente, foi como se eu tivesse vendo um outro filme, ou seja, perderam o rumo.

Marco Polo (Marcelo Adnet) deixa de ser tão mesquinho para agir de uma forma mais valorosa. Beto (Eduardo Sterblitch) deixa de ser o inocente para se tornar um legítimo malandro. Isso tudo de uma forma que não fica bem clara em qual momento há a verdadeira transição nas personalidades. Apenas acontece. Como se os roteiristas estivessem com preguiça de desenvolver os personagens, a história e etc.

O filme provavelmente será um sucesso. Financeiro. Mas infelizmente não é o filme nacional de comédia que esperávamos. É apenas mais um.

Curioso é o título da produção. Os Penetras. São mesmos. Enquanto os protagonistas entravam em festas e lugares para a classe alta mesmo não sendo da mesma estirpe, o filme irá a lugares ao qual também não está apto para ir. Vocês entenderam o que quis dizer.


E o pior de tudo, apertem os cintos pois terá uma continuação.

É, desgraça pouca é bobagem...


Por Evane Davi -  Um Louco OffLine

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