quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Conecta ou Desconecta: O Menino e o Mundo

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 É engraçado como o cinema nacional gera em mim alguns sentimentos pertubadores. E agora vocês vão entender o porque...

Quando falamos de animações de sucesso, sempre nos veem os clássicos Disney ou as tecnologias evoluções da Pixar ou DreamWorks. E quando finalmente temos um produto que AOS MEUS OLHOS se equiparam a esses grandes nomes, ele simplesmente não merece o devido respeito. Os traços desta animação brasileira sugerem a ingenuidade, a infantilidade em meio ao contexto caótico que a história se passa. O personagem principal é desenhado com um rabisco simples, em 2D, sobre espaços brancos remetendo a folhas de papel. Enquanto as grandes produções buscam os traços realistas para compor mundos mágicos, este filme faz o caminho inverso: usa traços que beiram o surreal para falar de um Brasil bastante palpável e contemporâneo.



A história contada sem palavra alguma, exceção de alguns diálogos de um dialeto próprio (na verdade os poucos diálogos que se tem são palavras ditas ao contrário), mostra uma criança pobre cujo pai busca na cidade grande uma nova oportunidade para a família. O cenário familiar é rural, mas o mundo para onde partem os adultos é o da cidade grande. Estes ambientes – personagens centrais à trama – ganham uma caracterização expressiva e inteligente: enquanto o campo é simbolizado por pequenos traços coloridos (referente à grama, à felicidade), a cidade é uma mistura cinzenta de pesadelo futurista (com favelas em formas de cones) e pastiche do capitalismo (outdoors, televisores por todos os lados). O trem que atravessa a fazenda nada mais é do que um monstro gigantesco, como uma serpente, que engole os adultos e depois desaparece no espaço branco, aliás, muito bem colocado metaforicamente, sem devolvê-los mais.


O diretor Alê Abreu apresenta de maneira simples o contraste destes dois mundos. A exploração dos agricultores, a falência das fábricas, a tristeza dos tecelões, a precariedade dos artistas de rua, a falta de estrutura nas comunidades carentes, o regime militar... Tudo é retratado de modo a misturar o sonho (a bela música das favelas) com o pesadelo (os tanques de guerra, transformados em animais gigantescos). Os pobres são humanizados ao máximo, com a câmera próxima dos pequenos traços que representam os seus olhos tristes, já os poderosos estão escondidos atrás de tanques e veículos potentes.



A trilha sonora composta pelo rapper Emicida, fica evidente a notável ambição deste filme de entreter ao mesmo tempo em que estabelece uma mensagem muito clara sobre a sociedade atual. Este é um filme de camadas, talvez as crianças não consigam entender todas as referências históricas, mas nem precisa: a simples sensibilização às desigualdades como mensagem central já é um tema raro e precioso em meio a tantas produções que preferem martelar na cabeça dos pequenos os mesmos valores de amor familiar.


Engana-se que irá ve-lo e acha que sairá com aquele sentimento de final feliz. Ao contrário, ao sair da sala, ficará o questionamento de para onde estamos caminhando e o que o futuro nos reservas.



A minha indignação é: Como um excelente produto, com uma mensagem que precisa ser dita a todos os ouvidos do mundo, com traços de encher os olhos e com uma trilha sonora que te faz cantarolar por horas e horas, não mereceu mais espaço? Soube do longa por acaso, ao fazer uma pesquisa irrelevante. E olha que vivemos disso. O Vida OffLine procura se informar sempre de novidades para seus seguidores. E como, COMO uma obra igual a essa não foi dita aqui antes??? 

Simples!!! No Brasil, o que vale mesmo é a cultura enlatada. Qualquer novidade que toque na ferida é tratada como algo marginal e ali deve ficar, a margem de tudo...

Conectado... Depois Dessa Animação Eu Vejo O Mundo Com Os Olhos De Uma Criança...



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